Tag-Archive for » AUTO BIOGRAFIA «

Thursday, September 30th, 2010 | Author:

CAPITULO 4

 

Agora que  o mundo do medo fez-se presente em minha vida, tudo mais iria contribuir para que o medo tomasse seu território onde quer que eu estivesse e tudo começou a acontecer..

Num final de dia, brincando com alguns meninos, filhos de empregados  da fazenda onde morávamos, fomos nos distanciando da casa e os meninos que  sem duvida eram maior do que eu, resolveram brincar de policia ladrão; ou seja um seria o sherife  enquanto que os demais seriam os bandidos. O sherife contaria até dez e os demais deviram esconder-se. Para que o sherife os encontrasse e colocasse na prisao.

A brincaderia era interessante porque se o sherife se afastasse muito do lugar onde ele estaria colocando os que ele fosse encontrando, qualquer um dos demais que ainda não houvesse sido descoberto poderia soltar aqueles que ja haviam sido preso; Bastava chegar junto ao preso sem que o sherife visse, para para que a brincadeira comessasse tudo de novo.

Mas se o sherife conseguisse prender todos, o que primeiro fosse pego tornar-se-ia o sherife e assim a bricadeira começaria novamente.

Eu,  resolvi esconder-me um pouco mais distante numa casinha que era destinada a colocar as laranjas e as bananas colhidas.

 

Como era final de dia,  o sol começou a baixar, os meninos foram chamados para casa, o responsavel pelo estoque da colheita veio e sem que eu percebesse trancou o pequeno armazem.

Quando descobri que ninguem viera  procurar-me, tentei sair e voltar para casa, porém como a porta estava trancada. comecei a gritar perdindo que me tirassem de lá. Porém, o deposito era relativamente distante da casa e da porteira da fazenda!.. Ninguém me ouvia!…  Ai sim!,… quando me dei conta de que eu estava preso  naquele depósito prisão, o pânico tomou conta de mim,

A principio, foi a sensação de solidão que desenvolveu o medo e,  daí por adiante, a cada momento que eu gritava batendo vigorosamente na porta, pedindo para que me tirassem da lá, o pavor fez-se presente tomando conta de mim e, com desespero coloquei toda minha força gritando mais alto ainda, porém ninguem me ouviria estando tão longe da casa.

Em um determinado momento sem que eu percebesse  o sangue deve haver subido a cabeça, porque senti uma sensação extranha que jamais consegui explicar e desmaiei de tanto medo.

 

E isso veio a acontecer novamente, muitos anos depois.

 

 

 

Category: Mensagens da Semana  | Tags:  | 232 Comments
Thursday, September 30th, 2010 | Author:

“As vidas que eu vivi nesta vida”

 

Sim, estávamos na “capitá” Rio de Janeiro e lá já estava começando uma nova esperiência de vida para mim.

Logo que descemos a escada mole do navio, Mole porque parecia que a corda que minha mãe estendia as roupas em dia de vento; Uma mulher muito magra vestindo uma roupa muito apertada no corpo onde deixava transparecer os ossos da parte frontal da bacia, com um topete que parecia que iria decolar de tão alto que era, juntamente com o oposto, um homem muito gordo e calvo, veio diretamente para nós , e para meu desespero, a primeira pessoa que ela atacou foi a mim.

Eu não sabia o que estava acontecendo, porém não me desesperei muito quando notei que minha mãe, minha irmã e minha tia não pediam a ajuda do meu pai., que diga-se de passagem, era bem forte para defender-nos caso fosse realmente um ataque.

Não precisavam de ajuda porque aquilo que eu pensei ser um ataque era o entusiasmo de ver-nos e poder abraçar-nos.

Na realidade, para todos, foi uma festa, menos para mim. Foi algo que eu não conseguia explicar. Todos pareciam estar felizes, mas choravam!… E eu pensava que a gente só choraria por sentir dor ou fome. E ai eu comecei a chorar também. Porém, de angústia e dor, pois não somente o antebraço da mulher magra atacou as feridas em minha nuca, como também me apertou tanto que meu nariz foi amassado contra o peito dela ( Entenda-se como peito, a parte toraxica que seria por muitos chamado de seios, e isto!… ela não tinha) e aí, nesse momento, eu pensei que iria deixar de existir.

Logo depois que o ataque dela acabou, ela me passou o ataque para o homem gordo, que apertou tão forte minhas bochechas, que quando ele parou o ataque às minhas bochechas, eu chorei mais convulsivamente e, foi um problema para minha mãe, que não conseguia fazer-me para de chorar. Todos pensavam que era por causa da emoção, ou mêdo do novo mundo, ou das novas criaturas com quem íriamos viver por um bom tempo. Ninguém chegava a imaginar que eu chorava, era mesmo de dor!

Naquele momento eu pensei: … que bom seria se meu vermelhinho barulhento estivesse ali, porque eu começaria a velocipar e com o barulho e, eles como sempre acontecia, me mandariam para longe daquelas feras!…

Aquela mulher magra que me atacou, juntamente com o homem gordo, era minha tia madrinha, e o homem gordo, o marinheiro, era meu padrinho!… Ah!… que ironia, ter dois parentes que me maltratavam, como se fossem meus inimigos. Isto sim, foi uma faceta diferente da uma das vidas que eu vivi.

A minha tia que viajara com a gente, logo depois que a feras me soltaram e minha mãe acalentou-me, fazendo-me parar de chorar, me pegou e me protegeu dos atacantes. Das Feras é claro!.

Imagino que ao falar anteriormente, que minha tia Naiza (embora o nome real fosse Nair) pois assim a chamavam,   que conseguia muitas vezes aquelas bandas de pão com manteiga e também levar-me ao convés, por causa da amizade que ela fizera com alguns marinheiros, muitos devem ter pensado que, na pior da hipoteses, ela estava se oferecendo as necessidades fisicas daqueles homens do mar. Que passavam muito tempo sem ver o sexo oposto tão próximo e aparentemente tão disponível, creio que feiura, ali, não seria levado em conta.

Embora os atrativos físicos de minha tia Naiza não fosem motivo para travar as investidas dos marinheiros, pois como já disse ela não possuia tais atrativos, gostaria de esclarecer que ela casou algum tempo depois já com 45 anos e,  segundo minha mãe, ela era ainda virgem, porque na época minha mãe teve de levá-la ao médico para que fosse dado um atestado de virgindade, porque o portugues interessado nela, assim o exigiu.

Depois que entendi melhor a vida , fiquei muitas vezes analisando a exigência do português, em ter certeza através de um atestado médico, que de que iria casar com uma virgem. Será que êle não sabia que as mãos, a boca e as cochas poderiam não ser mais virgem?!… Uma coisa é “certa” ela era virgem sim, pois nunca houvera sido “ casada  antes.

Depois dos abraços, apertos e choro, saímos do porto e, ai sim minha mente tornou-se mais acesa, porque eu precisava ver por onde iríamos para saber voltar, caso tivesse que fugir sòzinho para junto do meu vermelhinho barulhento, esquecendo completamente que necessitaria do navio, do lotação e da carroça para levar-me de volta àquela vida que eu vivi.

 – Agora sim, estava em território inimigo… que Deus me ajudasse!…

 

 

Não percam na próxima semana o terceiro capitulo das vidas que eu vivi nesta vida.