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Thursday, January 20th, 2011 | Author:

CAPITULO 8

 

Após a morte de meu pai muitas coisas foram acontecendo. Dias depois da irreparável perda, minha mãe abraçou-me a deu-me quatro conselhos que eu não entendi muito, porém os enfatisou, lembrando-me, quando fiz quinze anos:

Meu Filho, se você quizer saber como ganhar dinheiro, pergunte a quem tem. Não perca tempo ouvindo quem não tem, porque não te levará a lugar algum e,  se você quizer ganhar o dinheiro,  junte-se com quem tem, ou vá para onde ele está,  porque dinheiro muda de mão. Produza sempre mais do que é esperado para fazer a diferença na vida e não permita que o mal se alastre em sua vida!… Corte de imediato.

Alguns anos mais tarde, no período de ditadura pós revolução, resolvi mudar para os  Estados unidos, procurando viver outra vida, Uma vida diferente da que eu vivia no Brasil. Fiz muitas amizades, umas importantes, influentes, outras ricas que me ajudaram em meu desenvolvimento para a nova vida que eu escolhera. E como a morte de meu pai nunca ficou esclarecida, porque até hoje não sabemos qual o motivo real de sua morte. Meu pai era Getulista e lider sindicalista e depois da morte de Getulio Vargas muitas coisas extranhas vieram a contecer no Brasil. Eu decidi não envolver-me em política, porem, com tantas amizades de projeção, fiquei muito amigo de Cesar Cals, ministro de Minas e energia do Brasil.

Um dia em que ele estava em Nova York, saimos para jantar e  enquanto aguardavamos  a mesa no restaurante brazilia em Manhatan, ficamos no bar tomando uns tragos e como a demora para que pudéssemos sentar para o jantar, foi demasiada, a bebida começou a fazer efeito em mim. E num determinado momento,  já com a bebida tomando conta de minhas atitudes, falei para o amigo Cesar  que gostaria de fazer uma pergunta, mas achava que se eu fizesse a pergunta, poderia acabar com nossa amizade.

Cesar olhou-me profundamente nos olhos e disse: Faça a pergunta.

Eu sem pensar muito, porque os efeitos da bebida já se fazia presente, disse: Porque voce rouba, ou melhor; tentando melhorar a pergunta: porque voces políticos roubam?

Após alguns segundos, sem muitos criar obstáculos, Cesar Cals disse-me: Vou lhe contar um fato:  Quando eu entrei para a posição de ministro de Minas e Energia, eu disse para mim mesmo;  Vou consertar meu País, vou colocar em ordem tudo que está errado, porque a minha posição de ministro, me daria poderes de decisão suficientes para poder começar uma mudança radical em meu País.

Quando aceitei a posição, foi-me dito que eu poderia demitir todo o pessoal que estava atualmente servido no cabinete do ex-ministro, Advogados, acessores, secretaria, escriturários, em fim eu deveria colocar minha própria equipe de trabalho. Só não poderia demitir o funcionário mais antigo que lá trabalhava, que era o responsável pela entrada e saída de documentos no meu cabinete.

No primeiro dia de trabalho, quando entrei em minha sala, vi de imediato que além de minha mesa, existia três mais mesas onde uma estava um amontoado de processos para serem aprovados. Uma outra mesa dizia aprovados e a terceira mesa dizia: exigências.

Trabalhei até as duas horas da manhã naquele primeiro dia e não aprovei nenhum dos processos de orçamentos. Todos que tive oportunidade de analisar, foram colocados na mesa de exigências.

Fui para o hotel porque ainda não havia estabelecido residência fixa em Brasilia  e dormi muito bem atá as 10 horas da manhã do dia seguinte.

Após o café, e politicamente conversar haver conversado com alguns  politicos que lá estavam, foi para meu cabinete. Para minha surpresa, quando entrei em minha sala, em meu cabinete, fiquei surpreendido com o número de processos que estavam para ser aprovados. Assim que iniciei meu trabalho de verificação, notei que os  processos que agora estavam na mesa para aprovação foram os que eu havia colocado na mesa de exigências na noite anterior.

Neste momento entrou o responsável pelas entradas e saídas de documentos, aquele que me foi sugerido não demitir porque era o funcionário mais antigo e sabia de tudo que se passava no ministério de Minas e Energia. Assim que ele entrou, diga-se de passagem, sem pedir licensa, eu fiz um comentário muito sutil: O pessoal aqui deve ser muito eficiente, porque ontem a noite, coloquei processos na mesa de exigência que levaria pelo menos uma semana para satisfazer a exigência e vejo que já está de volta para ser aprovado?!… Para minha surpresa, o funcionário foi até a entrada da sala, fechou a porta, voltou até mim e disse:  Doutor Cesar, seu atrabalho aqui é aprovar porque o que é seu já está reservado.

Naquele momento adoeci. Fui para o hotel e de lá viajei para minha casa de praia em Canoa Quebrada. Fui pensar na minha posição, no interesse que eu tinha de regularizar meu País e na barreira que encontrara com um mero funcionário, que apitava mais do eu eu meu cabinete.

Quando em minha casa de Canoa Quebrada, fui visitado por um funcionário do cabinete do presidente, que me sugeriu voltar ao trabalho, porque eu tinha uma ótima oportunidade de projeção e depois eu tinha dois filhos o Cesar Junior e o Sergio que queriam entrar na politica. Adoeci mais ainda mas voltei ao trabalho.

Jimmy, disse ele, voce me pergunta porque o pilítico rouba, eu nunca roubei. O sistema está montado de tal forma que não será uma única pessoa interessada em regurizar o País que resolverá o problema.

Veja por exemplo um vereador que promete fazer alguma coisa pelo seu bairro, pela sua cidade. Se ele for honesto, não será reeleito porque não obterá aprovaçào de seu projeto e consequentemente não poderá provar ao seu eleitorado que fez a obra prometida, a menos que aceite as exigências pré-estabelecidas pelos que aprovarão seu projeto e, com isso já aderiu ao sistema que por si só, é corrupto.

Não sei quantos terão a oportunidade ler este fato, que foi-me relatado por um cidadão, que quiz, um dia, regularisar seu País.

Olhando para os conselhos de minha mãe, fico analizando o caso de Cesar Cals;  Colocou-se onde estava o dinheiro, tentou produzir mais que que era esperado dele, e conseguiu cortar o mal de imediato para si, mas não conseguiu para o País. Ao saudoso amigo Cesar Cals, tento cumprir hoje, o que lhe disse naquela noite: Um dia, quando seu nome for esquecido, quando não mais falarem de voce, ou quando o jovem universitário quiser saber algo diferente daquilo que podem haver dito de voce, vou reavivar sua memória; Vou publicar este fato. Para que outros idealistas, juntos, criem a força necessária para romper os elos que mantém a imagem negativa de nosso País.

                                                                                                Jimmy Albuquerque

 

 

 

 

 

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Thursday, January 20th, 2011 | Author:

Dias se passaram e eu agora sem medo recordava um dos momentos mais pesarosos em minha vida. Existia um clima diferente em minha casa, eu via minha mãe fazendo uma camisa que seria para meu aniversário em Outubro e quando meu pai ficava pensativo, minha mãe lhe perguntava o que se passava e ele sempre respondia que não era nada. Como o presidente do País Sr. Getulio Vargas, havia se suicidado (ou suicidaream ele), e  País passava por uma crise que eu não sabia as consequências, e meu pai era muito “Getulista”, ou seja era um admirador do politico Getulio. Minha mãe fazia alusões a morte do presidente, dizendo ao meu pai que isto já havia passado e não seria ele que iria mudar a direção do País.

Eu não sabia o que era ser politico, ou ser partidário de algum político ou partido eu só sabia que meu pai muitas das vezes era chamado para umas reuniões e como ele trabalhava como contra-mestre em uma  empresa de tecelagem (Empresa chamada Borborema localizada no bairro de Madureira).  Hoje, entendo, que o sindicato dos tecelões apitavam ou aceitavam a politica adotado pelo o presidente Getulio Vargas; A meu ver, hoje em dia, ele fora  um ótimo político e um péssimo governador, caso oposto do presidente Collor de Melo; Um ótimo governandor e um péssimo político.

Naquela noite de setembro de 1954, um mes após a morte do presidente Getulio Vargas, meu pai, antes de sair para o trabalho, porque trabalhava no turno da noite,  abraçou-me de uma forma diferente disse: Se eu um dia faltar, quero que voce tome conta de sua mãe. Eu sabia o que aquilo queria dizer, mas não conjecturava a razão. Vestiu-me com uma de suas cuecas fazendo um nó em minha cintura porque existia uma diferença muito grande entre sua estrutura física, imensa para mim, e meu pequeno corpo de criança raquítica de 7 anos.

Dormi toda a noite a quando acordei pela manhã, uma das visinhas, estava em minha casa e perguntou se eu queira tomar café. Achei muito extranho, minha mãe e minha irmã não estarem em casa, como sempre estavam. Enquanto eu tomava o café, sentia uma sensação extranha com a presença daquela gente que me olhava com tristeza. Num repente, eu levantei e perguntei: Meu pai morreu? Como resposta a visinha veio junto a mim e me abraçou dizendo que isso era uma coisa normal, que eu precisava aceitar. Eu senti aquele abraço com muito calor humano e fui sentar-me em baixo da caramboleira onde meu pai costumava sentar-se com minha mãe nas noites de sábado, após a ceia porque aos sábados ele pegava das 6 da tarde a meia noite. 

Quando ele chegava, minha mãe acordava a mim e a minha irmã e sentávamos a mesa para a ceia. Essa era uma exigência de meu pai que costumava dizer que a família precisava comer reunida para manter-se reunida e como durante a semana ele saia cedo para o trabalho, era a noite de sábado que  marcava a existência familiar.

Não sei no que eu pensava, mas já sentia uma saudade muito intensa de meu pai, muito embora eu havia sentido seu abraço na noite anterior. Em um determinado momento, ouvi minha mãe chegar a porta do barraco. Sim, morávamos em um barraco construido pelo meu pai.

Embora minha mãe, chorosa, carregando seu balaio de tristeza, houvesse me abraçado sem dizer uma palavra, eu não chorava. Algo mantinha minhas lágrimas retidas, sem que eu pudesse mostrar meu descontentamento, minha tristeza, pela perda, pela tão irreparável perda. Ele, não mais iria estar ali para abraçar-me para levar-me para cama aos sábados depois da ceia e aos domingos quando íamos todos a feira fazer as compras da semana e ele comprava uma garrafa de guaraná para mim e minha irmã e me carregava nos ombros. Meu heroi, meu ídolo, meu guardião, meu Deus já não estaria presente em minha vida.

Quando vi que trouxeram seu corpo para casa e o colocaram no centro da sala, numa mesa extranha,!… Aí sim, eu o abracei e senti algo que jamais gostaria que um ser humano possa vir a sentir. A dor de uma perda que não tem reparo ou retorno. A dor da tristeza profunda, a dor da dor doida pela dor.

Ai!.. nesse dia!… de tristeza profunda!…  experimentei minha segunda perda na vida; Foi como se houvessem tirado meus braços minhas pernas e tudo mais de mim, deixando somente o vacuo, a auxência da vida que cheguei a viver com meu pai, em mais uma das vidas que vivi nesta vida. Aí!… nesse momento!… a dor foi mais profunda!… E eu chorei!…

 

Jimmy Albuquerque

 

 

 

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Thursday, January 20th, 2011 | Author:

Capitulo 6 

 

O gritos não adiantaram porque todos estavam muito longe de onde eu me encontrava. A escuridão aumentou, as paredes pareciam estar se movendo em minha direção. Os cestos de laranja também se moviam, tudo queria me atacar e o pavor trouxe-me a única realidade: Isto já houvera ocorrido antes e nada de mal havia se passado comigo. Eu lembrei de que, eu simplesmente, dormira. Neste momento uma calma estranha tomou conta de mim. Sentei-me no chão e simplesmente fiquei aguardando alguém vir abrir a porta e ai!.. eu dormi novamente. Quando acordei, pouco antes da noite cair, minha mãe, muito irritada com o acontecido, abraçou-me  a levou-me para a festa. E!… me  encontraram mais uma vez.

Durante a festa, todos se divertiam, os outros meninos que haviam brincado comigo, me olhavam de uma forma extranha. Eu não entendia muito bem o que  passava na cabeça deles. Na minha porém, existia um esclarecimento muito importante. Eu sentia que já não tinha mêdo. Tudo me parecia muito claro, os momentos que passei de sofrimento por causa do mêdo, agora já não se fazia presente. Isto eu agradecia a todos, por tudo que aconteceu, Eu sabia que eles não entendiam nada do que se passava em minha cabeça naqueles momentos.

Eu já não tinha mêdo e, isto ficou mais que comprovado, quando, eu, para testar minha, agora, coragem, resolvi sair na mesma noite, no escuro, e ir um pouco longe, ainda no interior da fazenda. Que alegria saber que o poder do controle emocional, o controle do mêdo fazia parte de mim e por completo. Agora sim, eu tomava conta de uma nova faceta da vida, que iria, por certo ajudar-me nos passos futuros de minha puberdade. Eu descobri que não tinha mais o mêdo!… descobri que na realidade, eu  perdera o mêdo a tudo, até da morte , que sempre foi, minha maior apreenção. Eu era agora, senhor do meu destino, senhor da minha vida, senhor do meu entusiasmo, sabendo que poderia tentar tudo na vida, porque o medo, o pior inimigo do ser humano, já não ocupava seu espaço junto a mim.

 

Engraçado como as coisas acontecem. Na mesma noite, como a festa era para os adultos, nós as crianças fomos enviadas para uma outra casa velha que existia na fazenda para que pudessemos dormir e, senti neste momento, um entusiasmo muito grande, porque estava aí, mais uma oportunidade de comprovar  de que o medo já não existia em minha vida.

Quando da ida, os rapazes que nos levaram a velha casa, para dormir, começaram a amedrotar-me dizendo que na casa velha tinha um fantasma e que possivelmente apareceria nesta noite. Eu ouvia tudo, sem falar nada e eles com certeza pensavam que eu ainda era aquele garoto medroso de um  passado tão recente passado.

Estavamos nos preparando para dormir, quando um dos meninos que viera junto, pediu que outros meninos maiores, fossem com ele do lado de fora, para lavar os pés. Todos se negaram, dizendo que do lado de fora da velha casa, àquela hora da noite, ninguém saia.

Foi aí nesse momento que todos se surpreenderam com minha atitude, quando eu disse: EU VOU LÁ FORA COM VOCE!!

Ninguém entendeu nada e, só quando voltei é que me perguntaram; porque eu, que era o mais medroso, resolvera agir como machão!.. Eu rí,  e simplesmente disse: Não tinha nada lá fora, só a bomba dágua, uns vagalumes e alguns e sapos;  Fui para o meu cantinho e dormi como um anjo ou quem sabe, como um guerreiro, um guerreiro para a vida.