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Monday, October 18th, 2010 | Author:

AS VIDAS QUE VIVI NESTA VIDA.

 

5 QUINTO CAPÍTULO “O PAVOR”

 

Meu pai trabalhava na olaria que existia na fazenda e quando recebeu a a notícia de que eu havia desaparecido, veio correndo para casa e junto com minha mãe foram falar com os visinhos e seus filhos, procurando saber daqueles que estavam brincando comigo onde haviam visto-me pela última vez.

Embora naquela época não existia uma incidência de crianças desapareceidas como hoje em dia, a preocupação e a sensação de poder perder mais um filho, chegava ao extremo à cabeca de meu pai e de minha mãe. E, tão logo ouviram de  um dos meninos,  que eu havia ido para o lado do depósito, meu pai foi correndo perguntar ao capataz, se teria visto-me por lá, ele disse que não, que fez a vistoria da area, antes de fechar o depósito e ir para casa.

Neste momento sem saber porque, minha mãe gritou para meu pai: Ele está trancado no depósito!…

E foi esse instinto de mãe que fez com que eu viesse a ser encontrado ainda naquela noite.

 

Acordei, sentindo os braços do meu pai, pegando-me do chão. Naquele momento, tudo estava bem, e me recordo que, naquele momento, não senti nenhuma sensação de mêdo, mas sim de conforto e segurança, meu herói viera salvar-me.

 

Fui crescendo uma criança medrosa, com mêdo, do escuro e da solidão. Certa vez, ouvi meu pai discutindo com minha tia/madrinha, dizendo que não queria mais ouvi-la falar na minha presença, de casos assombrosos; Mula sem cabeça, lobisomen e fantasmas que haviam na fazenda.

Eu não entendia porque ele não queria que eu ouvisse mais sobre esses seres horripilantes quando em minha mente, agora,  eu creditava que existia.

 

Muitos anos passaram e  quando eu tinha 12 anos, minha mãe, um dia, encontrou com uma das pessoas que ainda vivia na fazenda, abraçaram-se e foi uma alegria vê-las tão felizes por haverem-se encontrado.

Dona moça, assim a chamavam, disse que sua filha mais velha iria casar-se na semana entrante e gostaria que minha mãe fosse para o casamento, na mesma fazenda onde haviamos morado.

 

Fomos no sábado pela manhã, porque minha mãe e minha irmã iriam ajudar nos preparativos para o casamento, que seria naquela tarde de sábado.

Quando lá chegamos vi que a maioria das crinças, eram as mesmas de quando lá, haviamos morado.

Engraçado como a vida vai nos ensinando; Durante os preparativass para a festa, as mulheres mandaram as crianças brincar  fora da casa para não atrapalhar nos trabalhos.

E como não tinhamos muita coisa para fazer, novamente os meninos resolveram brincar de policia ladrão. As mesma brincadeira do dia em que fui trancado no depósito de frutas.

Não sabia  porque, as coisas aconteciam novamente e, como aconteceu. Porém, agora, já com 12 anos e mais astuto do que antes, fui exatamente esconder-me no mesmo depósito

O menino que hoje não me recordo o nome, que fora o primeiro sheriff a tentar encontrar os demais, passou pela porta do depósito e resolveu trancar a porta para que se houvesse alguém la dentro, não podesse sair e soltar os que já haviam sido encontrados, caso ele tivesse que se afastar do local prisão, onde ele colocava os meninos já encontrados.

Os meninos foram chamados para expremer cana na moenda que existia na fazenda para termos garapa durante a festa, e simplesmente esqueceram-me lá, mais uma vez!…  trancado no deposito!…

 

E tudo se repetiu novamente, quando me vi trancado, comecei a gritar para que me tirasem de lá. Todos os grito e batidas fortes na porta foram inúteis, porque estavam longe e não me ouviram. Neste momento o mêdo despertou em mim o despero que veio acompanhado de pavor, porque desta vez, meu pai, meu herói, não estava presente para salvar-me.