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Thursday, September 30th, 2010 | Author:

 

UMA PESSOA QUE CHEGUEI A ODIAR  FOI QUEM

ME ENSINOU UMA DAS MELHORES LIÇÕES NA VIDA.

 

Os momentos que vivi nas vidas que eu vivi nesta vida, foram muito educativos para mim.

Após haver saído do Saleziano, escola para padres, arranjei um emprego na Ultralar, empresa irmã da Ultragás e minha vida começava a tomar uma nova direção. Embora o salário fosse relativamente bom para minha idade de 17 anos, as dificuldades eram grandes e na época, minha mãe estava doente,  minha irmã trabalhando em casa como manicure com um filho pequeno e o marido desempregado. Tudo estava muito difícil e meu salário como disse antes, embora fosse bom, não dava para sustentar todo mundo e, fui, cada dia mais, afundando em dívidas. Em um  mês que as coisas ficaram piores, pedi um adiantamento de salário que foi-me concedido no dia 15 do mesmo periodo. Porém, quando veio o check do salário daquele mês, veio com o desconto do adiantamento eu pedira, mais as deduções das compras que eu havia efetuado no armazem da empresa, e o que recebi não dava nem para pagar as passagens para  ir trabalhar. Quando a secretária do gerente comercial meu “BOSS”,  entregou-me o check de pagamento, viu pela expressão do meu rosto que os valores constantes do check, não me fizeram muito feliz e perguntou-me se eu gostaria que ela falasse com nosso “chefe” sobre o assunto; Talvez ele pudesse  ajudar-me de alguma forma. Perguntei como ele poderia ajudar-me e ela disse que de repente ele poderia emprestar-me um “dinheirinho” para que eu pudesse sobreviver aquele mês. Concordei e, quando fui chamado por ele, em sua sala, eu não sabia como proceder.  Entrei com vergonha e principalmente com medo de receber um não.

Ele pediu que eu sentasse e adiantou-se dizendo que sabia de minha situação e me emprestaria o dinheiro, porém queria saber quando é que eu pagaria de volta. Como ele foi direto resolvi ser também direto e sem pensar muito, disse que pagaria quando recebesse o salário do mes seguinte.  Ele fez o cheque, agradeci e saí para ir ao banco sacar aquele dinheiro que iria me ajudar no decorrer do periodo.

Os problemas aumentaram e tive que pedir outro adiantamento no meio do mes e consequentemente, no dia do pagamento, quando recebi o cheque referente ao salario, vi que com tantas deduções, se eu pagasse ao chefe o dinheiro que ele havia me emprestado, não sobraria nada para passar o mês.

 

Resolvi então, pedir a ele que esperasse até dia 15 que eu iria pedir  outro adiantamento e o pagaria. Porém, o mundo caiu, quando entrei em sua sale e falei sobre a possibilidade de ele esperar até o dia quinze, quando eu receberia o adiantamento.  Ele foi taxativo dizendo: Voce disse que me pagaria hoje  e eu quero receber hoje.

Aquilo foi uma pedrada na testa. Meu instinto carnivoro, animalesco estava quase a ser solto e partir para um ataque físico e acabar com ele. O odiei, com toda força de meu coração. Fiz o cheque e entreguei a ele, que muito cordialmente agradeceu.

Saí da sale como um foguete recém aceso. Minhas orelhas queimavam de tanta raiva. Como é que uma pessoas que parecia entender os problemas dos outros, como foi quando ele me emprestou o dinheiro, pudesse agora, com tanta rudeza cobrar-me daquela forma, sem ao menos levar em conta minha situação!…

Quando sentei-me à mesa de trabalho, estava destruído. Destruído na vida,  no trabalho, nas amizades, nas finanças, em fim, em tudo, ainda mais tendo que trabalhar para aquele desumano.

Alguns momentos após haver sentado à mesa, a secretária veio falar comigo dizendo que o “chefe”!… queria falar comigo. Ele seria a última pessoa do mundo com quem eu gotaria de falar. Mas como não tinha jeito, entrei em seu gabinete  para ver o que ele iria, agora, arremessar contra mim.

Ele mandou que eu me sentasse a começou falando: Sabe!… Voce é um ótimo pagador. Quando pegou o dinheiro emprestado comigo, disse que pagaria hoje e pagou!.. Parabéns. Aquilo foi mais uma de suas ofensas, assim pensei. Porem continuou  falando: Como voce é um bom pagador.  Voce tem crédito comigo e se precisar de mais dinheiro emprestado, pode pedir que eu empresto.

Com um ímpeto de raiva, agradecí dizendo: Não senhor, não preciso de nada!… e antes que ele pudesse dizer algo mais ofendente ao meu ego, saí  da sala.

Ele chamou a secretária e pediu minha presença outra vez. Eu estava, por conta da vida e nada que ele fosse dizer-me mudaria o ódio que eu estava sentindo por ele.  Quando entrei pediu que eu me sentasse o que recusei de imediato, Ele com firmeza em sua voz sempre muito autoritária, disse: Sente-se!.., foi um sente-se com todos os acentos, exclamações e reticencias sem nenhuma interrogação.

Pronto, lá estava eu sentado de frente para o carrasco que agora, com certeza, iria tirar minha pele e com certeza já estaria enviando-me ao departamento pessoal para pegar meu aviso prévio.  É, eu estava com certeza, sendo demitido.

Ele começou atacando minha idade, dizendo: Voce tem 17 anos quase 18 e está começando sua vida agora e, eu quero lhe dizer, que a responsabilidade e cumprimento da palavra é a coisa mais importante para que a pessoa seja íntegra e assim terá que ser sua vida, para que voce seja bem sucedido; Porque as pessoas acreditam naqueles que são responsáveis e mantém sua integridade, independente da situação em que esteja.

Vou lhe ajudar a colocar sua vida em dia. Vamos fazer um levantamento de suas despesas mensais para ver de quanto voce necessita para que sua vida fique mais facil e  voce não venha a se descontrolar mais. Eu não sabia o que falar. Do ódio passou à interrogação e depois veio à calma. Fui falando sobre tudo que eu gastava por mes e ele foi anotando. No final ele disse: Voce precisa de CR$250.00 cruzeiros para acertar sua vida. (eu ganhava CR$140.00 por mes) Posso emprestar, com a condição de voce dizer-me quando é que poderá pagar-me de volta esse empréstimo. Falei com a vóz meio engasgada, que não sabia determinar quando eu poderia pagar o emprestimo. Ele mais uma vez, tomou a iniciativa e disse, para minha surpresa,  que esperaria um ano para receber de volta o dinheiro e não falou em juros. Aceitei assinando uma nota promissória, falando mais com  afirmação do movimento de cabeça do que com palavras.

Minha vida tomou um outro rumo, com mais administração financeira e tranquilidade. Aproximadamente 8 meses depois saí da empresa e fui trabalhar na Varig empresa de aviação, que oferecia um salário muito bom para a posição que eu ocuparia na contabilidade da empresa.

Passado o tempo, a data que eu deveria pagar de volta o emprestimo chegou, edevido a inflação galopante da época, o que eu agora ganhava, dava facilmente para pagar o empréstimo. Quando cheguei  à empresa para fazer-lhe o pagamento do empréstimo, fui surpreendido pela notícia de que ele havia falecido. No momento seguinte veio o pensamento: Não preciso mais pagar a dívida!… Não obstante, junto com a notícia de sua morte, veio atravéz da ex-secretária a informação de que a esposa do falecido havia perguntado por mim. Pedi o endereço dela e fui a sua casa pagar-lhe porque com certeza estava necessitada do dinheiro, por isso havia perguntado por mim.

Quando lá cheguei, apresentei-me e, ela com muita amabilidade, pediu-me para entrar e após haver-me oferecido um cafézinho, que aceitei de bom gosto, disse-me:

Damian, meu marido,  falou-me sobre voce e sobre o dinheiro que ele havia lhe emprestado e disse-me que se você não viesse pagar o empréstimo, que eu usasse dos recusrsos da lei para cobrar de você, mas se você viesse pagar, que eu deveria dizer a você, que o pagamento foi sua intenção de cumprir com sua palavra e que eu não aceitasse o dinheiro.

Meus olhos se encheram de uma água quente a ácida que não consegui reter e rolaram pela minha face. É!.. eu chorei!… Ela abraçou-me  dizendo: Continue assim, porque foi assim que Damian gostaria que você fosse.

Meus agradecimentos Senhor Damian Sunner Sampol, pela primeira lição prática de vida, que recebi em uma das vidas que eu vivi nesta vida.

 

    Jimmy Albuquerque

 

 

 

Thursday, September 30th, 2010 | Author:

CAPITULO 4

 

Agora que  o mundo do medo fez-se presente em minha vida, tudo mais iria contribuir para que o medo tomasse seu território onde quer que eu estivesse e tudo começou a acontecer..

Num final de dia, brincando com alguns meninos, filhos de empregados  da fazenda onde morávamos, fomos nos distanciando da casa e os meninos que  sem duvida eram maior do que eu, resolveram brincar de policia ladrão; ou seja um seria o sherife  enquanto que os demais seriam os bandidos. O sherife contaria até dez e os demais deviram esconder-se. Para que o sherife os encontrasse e colocasse na prisao.

A brincaderia era interessante porque se o sherife se afastasse muito do lugar onde ele estaria colocando os que ele fosse encontrando, qualquer um dos demais que ainda não houvesse sido descoberto poderia soltar aqueles que ja haviam sido preso; Bastava chegar junto ao preso sem que o sherife visse, para para que a brincadeira comessasse tudo de novo.

Mas se o sherife conseguisse prender todos, o que primeiro fosse pego tornar-se-ia o sherife e assim a bricadeira começaria novamente.

Eu,  resolvi esconder-me um pouco mais distante numa casinha que era destinada a colocar as laranjas e as bananas colhidas.

 

Como era final de dia,  o sol começou a baixar, os meninos foram chamados para casa, o responsavel pelo estoque da colheita veio e sem que eu percebesse trancou o pequeno armazem.

Quando descobri que ninguem viera  procurar-me, tentei sair e voltar para casa, porém como a porta estava trancada. comecei a gritar perdindo que me tirassem de lá. Porém, o deposito era relativamente distante da casa e da porteira da fazenda!.. Ninguém me ouvia!…  Ai sim!,… quando me dei conta de que eu estava preso  naquele depósito prisão, o pânico tomou conta de mim,

A principio, foi a sensação de solidão que desenvolveu o medo e,  daí por adiante, a cada momento que eu gritava batendo vigorosamente na porta, pedindo para que me tirassem da lá, o pavor fez-se presente tomando conta de mim e, com desespero coloquei toda minha força gritando mais alto ainda, porém ninguem me ouviria estando tão longe da casa.

Em um determinado momento sem que eu percebesse  o sangue deve haver subido a cabeça, porque senti uma sensação extranha que jamais consegui explicar e desmaiei de tanto medo.

 

E isso veio a acontecer novamente, muitos anos depois.

 

 

 

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Thursday, September 30th, 2010 | Author:

” As vidas que eu vivi nesta vida”

Quando chegamos a casa onde minha tia madrinha morava achei diferente  ao ver tantas árvores pintadas com tinta Branca do chão até pelo menos minha altura., Eu nao sabia que era cal, para evitar que insetos subissem a árvore, protegendo-as de doenças.  Era muito bom  ver aquela  casa  bonita, muito grande e diferente da que vivíamos no interior de pernambuco. Tinha um jardim bem tratado e alguma redes na varanda e tudo parecia muito alegre e por momentos fiquei feliz em saber que de repente meu vermelhinho barulhentos estivesse ali me esperando.

Não, não estava!.. e a quela felicidade com certeza não iria durar  por muito tempo.

Naquela noite, vi que alguma coisa não agradava a minha mãe, porque minha tia falava muito sobre as feridas do meu couro cabeludo, que na verdade já não estava tão cabeludo, pois o cabelo estava caindo muito rápido. meu sofrimento se fez presente quando na manha seguinte todos sairam fincando somente eu e minha adorada tia/madrinha que  me pegou pelo braço com alguns panos e me levou para debaixo de um pé de coqueiro passando antes por uma larangeira de onde tirou alguns espinhos para começar o tratamento, que para mim, foi sofrido, porque ela furava as feridas espremia e colocava um remédio preto cujo nome ela chamava de elixir sanativo.

O nome podia ser sanativo, mas maltratava muito, porque cada vez que ela espremia as feridas, vinha uma expectativa muito grande de mais dor porque com certeza o chumasso de algodão com elixir sanativo vinha em seguida.  Eu chorava muito e tenho certeza de que eu gritava, porém como estavamos muito longe da casa, ninguem  ouvia, porque nunca aparecia ninguem para me socorrer.

E este  martirio foi por muitos dias até que um dia minha tia já precisou fazer os curativos.

Este momento de relato não é maldizendo as ações de minha tia porque embora eu tenha sofrido muitos dias de dores,  principalmente quando ela colocava o tal do sanativo, as feridas sararam e eu pude dormir sabendo que no dia seguinte não sofreria tendo minha mãe que descolar as fronhas  de meus couro cabeludo.

A vida me pareceu bem melhor porque agora eu comia outros tipos de comida. Um dia minha tia colocou no meu prato uns grãos pretos que vim a descobrir depois ser feijão preto, porque em recife eu nunca houvera visto ou comido aquele tipo de feijão. Gostei muito da nova comida e sempre que se cozinhava o feijão preto meu dia era sempre melhor. E quando a comida era servida, minha tia Dulce  sempre se elevava, dizendo para minha mãe: Viu só como ele gosta da minha comida?!… É, a vida começou a mostrar-me outra coisa o desejo de ser elogiado, porque ela se fazia muito feliz sempre que colocava a posição de que eu gostava da comida dela. E isto tambem me fazia feliz, porque nestes momentos, eu não era maltratado, a vóz dela era mais agradável e eu me sentia mais confortável.

Os dias foram passando e comecei a esperimentar uma sensação que eu não havia esperimentado antes; O mêdo!…

A noite quando nos reuníamos após a janta,  sob a luz dos candeeiros os adultos falavam sobre personagens que eu até então  nunca houvira falar. Falavam sobre a mula sem cabeça sobre o lobisomen, sobre os fantasmas que viviam na casa abandonada, onde  usavam para guardar as frutas colhidas na produção da fazenda.  Onde  ninguem ia durante a noite por causa dos fantasmas que lá viviam. Ou seja falavam de tudo que pudesse entrete-los, porém,  para mim foi quando comecei a desenhar em minha mente um outro mundo, no qual eu ainda, não houvera vivido, o mundo do medo.

Os dias se passavam, e como meu pai trabalhava na olaria da fazenda, na produção de telhas, e tijolos, conhecida como fazenda da Banca, e chegava em casa ainda durante o dia, e com isso, a noite não me era totalmente assombrosa, porque eu sempre ficava perto dele, de minha mãe e muitas vezes perto de minha tia Naiza, que tinha um apego muito grande comigo,  até que o sono tomava conta de mim. E, como, segundo os adultos que falavam sobre aqueles seres horripilantes os monstros só apareciam a noite, o dia era para mim o principal refúgio, e, com isto eu me afastava sempre dos lugares escuros pois os lugares escuros me pareciam noite. Noite para mim, só perto do meu pai ou da minha mãe ou de minha tia Naiza.

O medo agora fazia parte de mim, vivia  dentro de mim e, eu não conseguia colocá-lo para fora, ele vivia comigo agora para sempre. E este passou a ser o meu pior inimigo, pois o inimigo, maltrata e faz a gente sofrer. O conhecimento do desconhecido me apavorava e tudo se tornou um mundo de incertezas, de defesa, de insegurança e perda, porque eu pensava que qualquer coisa que pudessemos obter, poderia ser tirado da gente, quando aqueles monstros viessem e nos matassem. E a palavra morte e a existência da morte, se fez presente pela primeira vêz em minha vida, quando um empregado da fazenda foi encontrado morto e pude vê-lo já num estado em que cheirava mal. Naquela noite, as conversas sobre a morte do colono era sempre culpando algum ser fantasmagórico, dos quais eu ouvia falar  nas noites de conversa entre os adultos. As vezes, para me amedrontar mais tentando fazer-me obedecer. Ficavam em silencio e me perguntavam: Está ouvindo esse barulho lá fora?!.. é a mula sem cabeça procurando crianças desobedientes. Ai simm, tornei-me uma criança medrosa,  insegura e sem vontade de estar só, principalmente à noite.

E se me deixavam só em um único momento que fosse,  o meu inimigo medo se fazia presente com tal intensidade que eu precisava estar perto de alguém imediatamente para mantê-lo longe junto com os monstros, mulas sem cabeça, lobisomen, etc.  E com isto criei alguns problemas para mim, pois a solidão como a que eu tinha junto com meu vermelhinho barulhento, já não podia ser minha companheira.

 E esta passou a ser mais uma vida que eu vivi nesta vida; A vida do medo!…

Thursday, September 30th, 2010 | Author:

“As vidas que eu vivi nesta vida”

 

Sim, estávamos na “capitá” Rio de Janeiro e lá já estava começando uma nova esperiência de vida para mim.

Logo que descemos a escada mole do navio, Mole porque parecia que a corda que minha mãe estendia as roupas em dia de vento; Uma mulher muito magra vestindo uma roupa muito apertada no corpo onde deixava transparecer os ossos da parte frontal da bacia, com um topete que parecia que iria decolar de tão alto que era, juntamente com o oposto, um homem muito gordo e calvo, veio diretamente para nós , e para meu desespero, a primeira pessoa que ela atacou foi a mim.

Eu não sabia o que estava acontecendo, porém não me desesperei muito quando notei que minha mãe, minha irmã e minha tia não pediam a ajuda do meu pai., que diga-se de passagem, era bem forte para defender-nos caso fosse realmente um ataque.

Não precisavam de ajuda porque aquilo que eu pensei ser um ataque era o entusiasmo de ver-nos e poder abraçar-nos.

Na realidade, para todos, foi uma festa, menos para mim. Foi algo que eu não conseguia explicar. Todos pareciam estar felizes, mas choravam!… E eu pensava que a gente só choraria por sentir dor ou fome. E ai eu comecei a chorar também. Porém, de angústia e dor, pois não somente o antebraço da mulher magra atacou as feridas em minha nuca, como também me apertou tanto que meu nariz foi amassado contra o peito dela ( Entenda-se como peito, a parte toraxica que seria por muitos chamado de seios, e isto!… ela não tinha) e aí, nesse momento, eu pensei que iria deixar de existir.

Logo depois que o ataque dela acabou, ela me passou o ataque para o homem gordo, que apertou tão forte minhas bochechas, que quando ele parou o ataque às minhas bochechas, eu chorei mais convulsivamente e, foi um problema para minha mãe, que não conseguia fazer-me para de chorar. Todos pensavam que era por causa da emoção, ou mêdo do novo mundo, ou das novas criaturas com quem íriamos viver por um bom tempo. Ninguém chegava a imaginar que eu chorava, era mesmo de dor!

Naquele momento eu pensei: … que bom seria se meu vermelhinho barulhento estivesse ali, porque eu começaria a velocipar e com o barulho e, eles como sempre acontecia, me mandariam para longe daquelas feras!…

Aquela mulher magra que me atacou, juntamente com o homem gordo, era minha tia madrinha, e o homem gordo, o marinheiro, era meu padrinho!… Ah!… que ironia, ter dois parentes que me maltratavam, como se fossem meus inimigos. Isto sim, foi uma faceta diferente da uma das vidas que eu vivi.

A minha tia que viajara com a gente, logo depois que a feras me soltaram e minha mãe acalentou-me, fazendo-me parar de chorar, me pegou e me protegeu dos atacantes. Das Feras é claro!.

Imagino que ao falar anteriormente, que minha tia Naiza (embora o nome real fosse Nair) pois assim a chamavam,   que conseguia muitas vezes aquelas bandas de pão com manteiga e também levar-me ao convés, por causa da amizade que ela fizera com alguns marinheiros, muitos devem ter pensado que, na pior da hipoteses, ela estava se oferecendo as necessidades fisicas daqueles homens do mar. Que passavam muito tempo sem ver o sexo oposto tão próximo e aparentemente tão disponível, creio que feiura, ali, não seria levado em conta.

Embora os atrativos físicos de minha tia Naiza não fosem motivo para travar as investidas dos marinheiros, pois como já disse ela não possuia tais atrativos, gostaria de esclarecer que ela casou algum tempo depois já com 45 anos e,  segundo minha mãe, ela era ainda virgem, porque na época minha mãe teve de levá-la ao médico para que fosse dado um atestado de virgindade, porque o portugues interessado nela, assim o exigiu.

Depois que entendi melhor a vida , fiquei muitas vezes analisando a exigência do português, em ter certeza através de um atestado médico, que de que iria casar com uma virgem. Será que êle não sabia que as mãos, a boca e as cochas poderiam não ser mais virgem?!… Uma coisa é “certa” ela era virgem sim, pois nunca houvera sido “ casada  antes.

Depois dos abraços, apertos e choro, saímos do porto e, ai sim minha mente tornou-se mais acesa, porque eu precisava ver por onde iríamos para saber voltar, caso tivesse que fugir sòzinho para junto do meu vermelhinho barulhento, esquecendo completamente que necessitaria do navio, do lotação e da carroça para levar-me de volta àquela vida que eu vivi.

 – Agora sim, estava em território inimigo… que Deus me ajudasse!…

 

 

Não percam na próxima semana o terceiro capitulo das vidas que eu vivi nesta vida.