Saturday, February 19th, 2011 | Author:

CAPITULO 9

MAIS UM ENCONTRO DAQUELES

 

Este agora, já fará parte integrante, de mais um dos momentoos que vivi nesta vida, embora tenha sido recente,   tomei a liberdade de colocá-lo adiante dos fatos anteriormente passados.

Muitas  vezes somos chamados a atenção para descobrir fatores que contribuem levar pessoas a pensar errôneamente. Ainda esta semana quando saia do supermercado, vi uma senhora distribuindo panfletos de sua igreja e  por acaso quando passei por algumas pessoas que estavam perto, pude ouvir um comentário negativo sobre o trabalho das igrejas, que me chamou a atenção de tal forma que decidi parar e juntarm-me ao grupo para saber um pouco mais sobre como algumas pessoas pensam sobre o trabalho da igreja ante nossa sociedade e perante Deus.

Um dos personagens, o que parecia mais um indigente, mal vestido e cheirando mal, que acredito é claro,  deve ser pela falta de recursos pessoais, sem todavia considerar que higiene, não se encaixava na falta de recursos financeiros.  Falava contra a igreja, blasfemando contra a existência Divina e contra todos os titulares de entidades religiosas. Resolvi então, fazer a pergunta: Porque voce acha que os padres, pastores bispos, rabinos e outros estão todos errados?  É claro que estão!… já começou respondendo com arrogância!.. Se diz na bliblia que Deus nos criou à sua imagem e semelhança,  porque é que não podemos ser poderosos iguais a Ele?  Porque é que temos que perdoar? Por que é que temos que pagar dízimos a igreja? Por que é que tenho  que viver como eu vivo, como muitos que conheço vivem?  Tá tudo errado!… tudo errado!…

Sabendo que sua arrogância poderia levarnos a um desentendimento, se eu dissesse que ele estava errado, resolvi  atacar de outra forma. Sabe uma coisa?   Acho que você está certo em fazer esssas perguntas, acho que quando temos dúvida precisamos esclarecer e quando  desconhecemos precisamos conhecer. Aí então perguntei-lhe:  Se você para receber um prêmio e ficar feliz precisasse resolver uma equação matemática e você não é bom em matemática, o que é que você faria para obter esse prêmio e ficar feliz?  Sabendo que ele poderia jogar a pergunta para seu campo de ataque, adiantei-me respondendo-lhe: Voce iria a um matemático para obter a resposta, não é mesmo?  Porque se você tiver a resposta certa voce iria ficar feliz não mesmo?  Ele parou e ficou meio indeciso para responder. Ai eu ataquei mais uma vez:  É ou não é?!…

É claro que voce iria ao menos tentar obter a resposta, voce é uma pessoa normal e sabe que isto seria a única forma de ser bem sucedido.  Como o silêncio dele foi mais prolongado; Continuei meu dialogo:

É sempre assim, quando não temos a resposta para uma determinada pergunta, precisamos  questionar quem sabe, nunca quem não sabe, porque senão receberemos a resposta errada e nos manteremos na ignorância. E se você tiver interesse em saber sobre essas indagações, eu poderia ajudá-lo com as respostas. Porque isto eu aprendi e sei responder!… e sem que ele esperasse comecei dando logo as respostas a suas perguntas:

Primeiro, não pode ser poderoso igual a Deus porque Ele é Deus e voce não!…

Segundo porque temos que perdoar?!… Sofre é quem odeia. Porque quem carrega o peso do ódio é o sofredor. Terceiro, não temos que pagar nenhum dízimo a igreja, por que o dízimo não é um pagamento. É uma doaçào, um agradecimento e uma obrigação ao investimento que fazemos com Deus. Quarto, Voce vive como vive, porque sempre caminhou pela trilha errada, Se ouvesse seguido outro caminho, com certeza não estaria aqui estaria em outro lugar. Quando se pensa com negativismo, sem  motivação e sem preparo mental para conhecer o desconhecido e aceitar as leis universais Divinas, definitivamente, não vai chegar a lugar nenhum, E tem mais: No momento em que voce tiver motivação, souber que existe algo a ser conquistado e se entusiasmar à conquista, ai sim, voce será bem sucedido e deixará de culpar a sociedade e Deus pelos seus infortúnios. Fui creio, quase como voce. Mas  eu encontrei o caminho certo, encontrei-me com Ele, sou bem sucedido e sou feliz. Quer ser igual a mim e ter o que eu tenho?!…  Então entenda que está na  hora de mudar!… Mas mudar mesmo!.. Mudar para melhor!… E fui embora.

Espero que eu tenha dado a mensagem que ele precisava receber. Que Deus me ajude a encontrar em meu caminho, outros iguais a ele.

                                                                                                        Jimmy Albuquerque

Thursday, January 20th, 2011 | Author:

CAPITULO 8

 

Após a morte de meu pai muitas coisas foram acontecendo. Dias depois da irreparável perda, minha mãe abraçou-me a deu-me quatro conselhos que eu não entendi muito, porém os enfatisou, lembrando-me, quando fiz quinze anos:

Meu Filho, se você quizer saber como ganhar dinheiro, pergunte a quem tem. Não perca tempo ouvindo quem não tem, porque não te levará a lugar algum e,  se você quizer ganhar o dinheiro,  junte-se com quem tem, ou vá para onde ele está,  porque dinheiro muda de mão. Produza sempre mais do que é esperado para fazer a diferença na vida e não permita que o mal se alastre em sua vida!… Corte de imediato.

Alguns anos mais tarde, no período de ditadura pós revolução, resolvi mudar para os  Estados unidos, procurando viver outra vida, Uma vida diferente da que eu vivia no Brasil. Fiz muitas amizades, umas importantes, influentes, outras ricas que me ajudaram em meu desenvolvimento para a nova vida que eu escolhera. E como a morte de meu pai nunca ficou esclarecida, porque até hoje não sabemos qual o motivo real de sua morte. Meu pai era Getulista e lider sindicalista e depois da morte de Getulio Vargas muitas coisas extranhas vieram a contecer no Brasil. Eu decidi não envolver-me em política, porem, com tantas amizades de projeção, fiquei muito amigo de Cesar Cals, ministro de Minas e energia do Brasil.

Um dia em que ele estava em Nova York, saimos para jantar e  enquanto aguardavamos  a mesa no restaurante brazilia em Manhatan, ficamos no bar tomando uns tragos e como a demora para que pudéssemos sentar para o jantar, foi demasiada, a bebida começou a fazer efeito em mim. E num determinado momento,  já com a bebida tomando conta de minhas atitudes, falei para o amigo Cesar  que gostaria de fazer uma pergunta, mas achava que se eu fizesse a pergunta, poderia acabar com nossa amizade.

Cesar olhou-me profundamente nos olhos e disse: Faça a pergunta.

Eu sem pensar muito, porque os efeitos da bebida já se fazia presente, disse: Porque voce rouba, ou melhor; tentando melhorar a pergunta: porque voces políticos roubam?

Após alguns segundos, sem muitos criar obstáculos, Cesar Cals disse-me: Vou lhe contar um fato:  Quando eu entrei para a posição de ministro de Minas e Energia, eu disse para mim mesmo;  Vou consertar meu País, vou colocar em ordem tudo que está errado, porque a minha posição de ministro, me daria poderes de decisão suficientes para poder começar uma mudança radical em meu País.

Quando aceitei a posição, foi-me dito que eu poderia demitir todo o pessoal que estava atualmente servido no cabinete do ex-ministro, Advogados, acessores, secretaria, escriturários, em fim eu deveria colocar minha própria equipe de trabalho. Só não poderia demitir o funcionário mais antigo que lá trabalhava, que era o responsável pela entrada e saída de documentos no meu cabinete.

No primeiro dia de trabalho, quando entrei em minha sala, vi de imediato que além de minha mesa, existia três mais mesas onde uma estava um amontoado de processos para serem aprovados. Uma outra mesa dizia aprovados e a terceira mesa dizia: exigências.

Trabalhei até as duas horas da manhã naquele primeiro dia e não aprovei nenhum dos processos de orçamentos. Todos que tive oportunidade de analisar, foram colocados na mesa de exigências.

Fui para o hotel porque ainda não havia estabelecido residência fixa em Brasilia  e dormi muito bem atá as 10 horas da manhã do dia seguinte.

Após o café, e politicamente conversar haver conversado com alguns  politicos que lá estavam, foi para meu cabinete. Para minha surpresa, quando entrei em minha sala, em meu cabinete, fiquei surpreendido com o número de processos que estavam para ser aprovados. Assim que iniciei meu trabalho de verificação, notei que os  processos que agora estavam na mesa para aprovação foram os que eu havia colocado na mesa de exigências na noite anterior.

Neste momento entrou o responsável pelas entradas e saídas de documentos, aquele que me foi sugerido não demitir porque era o funcionário mais antigo e sabia de tudo que se passava no ministério de Minas e Energia. Assim que ele entrou, diga-se de passagem, sem pedir licensa, eu fiz um comentário muito sutil: O pessoal aqui deve ser muito eficiente, porque ontem a noite, coloquei processos na mesa de exigência que levaria pelo menos uma semana para satisfazer a exigência e vejo que já está de volta para ser aprovado?!… Para minha surpresa, o funcionário foi até a entrada da sala, fechou a porta, voltou até mim e disse:  Doutor Cesar, seu atrabalho aqui é aprovar porque o que é seu já está reservado.

Naquele momento adoeci. Fui para o hotel e de lá viajei para minha casa de praia em Canoa Quebrada. Fui pensar na minha posição, no interesse que eu tinha de regularizar meu País e na barreira que encontrara com um mero funcionário, que apitava mais do eu eu meu cabinete.

Quando em minha casa de Canoa Quebrada, fui visitado por um funcionário do cabinete do presidente, que me sugeriu voltar ao trabalho, porque eu tinha uma ótima oportunidade de projeção e depois eu tinha dois filhos o Cesar Junior e o Sergio que queriam entrar na politica. Adoeci mais ainda mas voltei ao trabalho.

Jimmy, disse ele, voce me pergunta porque o pilítico rouba, eu nunca roubei. O sistema está montado de tal forma que não será uma única pessoa interessada em regurizar o País que resolverá o problema.

Veja por exemplo um vereador que promete fazer alguma coisa pelo seu bairro, pela sua cidade. Se ele for honesto, não será reeleito porque não obterá aprovaçào de seu projeto e consequentemente não poderá provar ao seu eleitorado que fez a obra prometida, a menos que aceite as exigências pré-estabelecidas pelos que aprovarão seu projeto e, com isso já aderiu ao sistema que por si só, é corrupto.

Não sei quantos terão a oportunidade ler este fato, que foi-me relatado por um cidadão, que quiz, um dia, regularisar seu País.

Olhando para os conselhos de minha mãe, fico analizando o caso de Cesar Cals;  Colocou-se onde estava o dinheiro, tentou produzir mais que que era esperado dele, e conseguiu cortar o mal de imediato para si, mas não conseguiu para o País. Ao saudoso amigo Cesar Cals, tento cumprir hoje, o que lhe disse naquela noite: Um dia, quando seu nome for esquecido, quando não mais falarem de voce, ou quando o jovem universitário quiser saber algo diferente daquilo que podem haver dito de voce, vou reavivar sua memória; Vou publicar este fato. Para que outros idealistas, juntos, criem a força necessária para romper os elos que mantém a imagem negativa de nosso País.

                                                                                                Jimmy Albuquerque

 

 

 

 

 

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Thursday, January 20th, 2011 | Author:

Dias se passaram e eu agora sem medo recordava um dos momentos mais pesarosos em minha vida. Existia um clima diferente em minha casa, eu via minha mãe fazendo uma camisa que seria para meu aniversário em Outubro e quando meu pai ficava pensativo, minha mãe lhe perguntava o que se passava e ele sempre respondia que não era nada. Como o presidente do País Sr. Getulio Vargas, havia se suicidado (ou suicidaream ele), e  País passava por uma crise que eu não sabia as consequências, e meu pai era muito “Getulista”, ou seja era um admirador do politico Getulio. Minha mãe fazia alusões a morte do presidente, dizendo ao meu pai que isto já havia passado e não seria ele que iria mudar a direção do País.

Eu não sabia o que era ser politico, ou ser partidário de algum político ou partido eu só sabia que meu pai muitas das vezes era chamado para umas reuniões e como ele trabalhava como contra-mestre em uma  empresa de tecelagem (Empresa chamada Borborema localizada no bairro de Madureira).  Hoje, entendo, que o sindicato dos tecelões apitavam ou aceitavam a politica adotado pelo o presidente Getulio Vargas; A meu ver, hoje em dia, ele fora  um ótimo político e um péssimo governador, caso oposto do presidente Collor de Melo; Um ótimo governandor e um péssimo político.

Naquela noite de setembro de 1954, um mes após a morte do presidente Getulio Vargas, meu pai, antes de sair para o trabalho, porque trabalhava no turno da noite,  abraçou-me de uma forma diferente disse: Se eu um dia faltar, quero que voce tome conta de sua mãe. Eu sabia o que aquilo queria dizer, mas não conjecturava a razão. Vestiu-me com uma de suas cuecas fazendo um nó em minha cintura porque existia uma diferença muito grande entre sua estrutura física, imensa para mim, e meu pequeno corpo de criança raquítica de 7 anos.

Dormi toda a noite a quando acordei pela manhã, uma das visinhas, estava em minha casa e perguntou se eu queira tomar café. Achei muito extranho, minha mãe e minha irmã não estarem em casa, como sempre estavam. Enquanto eu tomava o café, sentia uma sensação extranha com a presença daquela gente que me olhava com tristeza. Num repente, eu levantei e perguntei: Meu pai morreu? Como resposta a visinha veio junto a mim e me abraçou dizendo que isso era uma coisa normal, que eu precisava aceitar. Eu senti aquele abraço com muito calor humano e fui sentar-me em baixo da caramboleira onde meu pai costumava sentar-se com minha mãe nas noites de sábado, após a ceia porque aos sábados ele pegava das 6 da tarde a meia noite. 

Quando ele chegava, minha mãe acordava a mim e a minha irmã e sentávamos a mesa para a ceia. Essa era uma exigência de meu pai que costumava dizer que a família precisava comer reunida para manter-se reunida e como durante a semana ele saia cedo para o trabalho, era a noite de sábado que  marcava a existência familiar.

Não sei no que eu pensava, mas já sentia uma saudade muito intensa de meu pai, muito embora eu havia sentido seu abraço na noite anterior. Em um determinado momento, ouvi minha mãe chegar a porta do barraco. Sim, morávamos em um barraco construido pelo meu pai.

Embora minha mãe, chorosa, carregando seu balaio de tristeza, houvesse me abraçado sem dizer uma palavra, eu não chorava. Algo mantinha minhas lágrimas retidas, sem que eu pudesse mostrar meu descontentamento, minha tristeza, pela perda, pela tão irreparável perda. Ele, não mais iria estar ali para abraçar-me para levar-me para cama aos sábados depois da ceia e aos domingos quando íamos todos a feira fazer as compras da semana e ele comprava uma garrafa de guaraná para mim e minha irmã e me carregava nos ombros. Meu heroi, meu ídolo, meu guardião, meu Deus já não estaria presente em minha vida.

Quando vi que trouxeram seu corpo para casa e o colocaram no centro da sala, numa mesa extranha,!… Aí sim, eu o abracei e senti algo que jamais gostaria que um ser humano possa vir a sentir. A dor de uma perda que não tem reparo ou retorno. A dor da tristeza profunda, a dor da dor doida pela dor.

Ai!.. nesse dia!… de tristeza profunda!…  experimentei minha segunda perda na vida; Foi como se houvessem tirado meus braços minhas pernas e tudo mais de mim, deixando somente o vacuo, a auxência da vida que cheguei a viver com meu pai, em mais uma das vidas que vivi nesta vida. Aí!… nesse momento!… a dor foi mais profunda!… E eu chorei!…

 

Jimmy Albuquerque

 

 

 

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Thursday, January 20th, 2011 | Author:

Capitulo 6 

 

O gritos não adiantaram porque todos estavam muito longe de onde eu me encontrava. A escuridão aumentou, as paredes pareciam estar se movendo em minha direção. Os cestos de laranja também se moviam, tudo queria me atacar e o pavor trouxe-me a única realidade: Isto já houvera ocorrido antes e nada de mal havia se passado comigo. Eu lembrei de que, eu simplesmente, dormira. Neste momento uma calma estranha tomou conta de mim. Sentei-me no chão e simplesmente fiquei aguardando alguém vir abrir a porta e ai!.. eu dormi novamente. Quando acordei, pouco antes da noite cair, minha mãe, muito irritada com o acontecido, abraçou-me  a levou-me para a festa. E!… me  encontraram mais uma vez.

Durante a festa, todos se divertiam, os outros meninos que haviam brincado comigo, me olhavam de uma forma extranha. Eu não entendia muito bem o que  passava na cabeça deles. Na minha porém, existia um esclarecimento muito importante. Eu sentia que já não tinha mêdo. Tudo me parecia muito claro, os momentos que passei de sofrimento por causa do mêdo, agora já não se fazia presente. Isto eu agradecia a todos, por tudo que aconteceu, Eu sabia que eles não entendiam nada do que se passava em minha cabeça naqueles momentos.

Eu já não tinha mêdo e, isto ficou mais que comprovado, quando, eu, para testar minha, agora, coragem, resolvi sair na mesma noite, no escuro, e ir um pouco longe, ainda no interior da fazenda. Que alegria saber que o poder do controle emocional, o controle do mêdo fazia parte de mim e por completo. Agora sim, eu tomava conta de uma nova faceta da vida, que iria, por certo ajudar-me nos passos futuros de minha puberdade. Eu descobri que não tinha mais o mêdo!… descobri que na realidade, eu  perdera o mêdo a tudo, até da morte , que sempre foi, minha maior apreenção. Eu era agora, senhor do meu destino, senhor da minha vida, senhor do meu entusiasmo, sabendo que poderia tentar tudo na vida, porque o medo, o pior inimigo do ser humano, já não ocupava seu espaço junto a mim.

 

Engraçado como as coisas acontecem. Na mesma noite, como a festa era para os adultos, nós as crianças fomos enviadas para uma outra casa velha que existia na fazenda para que pudessemos dormir e, senti neste momento, um entusiasmo muito grande, porque estava aí, mais uma oportunidade de comprovar  de que o medo já não existia em minha vida.

Quando da ida, os rapazes que nos levaram a velha casa, para dormir, começaram a amedrotar-me dizendo que na casa velha tinha um fantasma e que possivelmente apareceria nesta noite. Eu ouvia tudo, sem falar nada e eles com certeza pensavam que eu ainda era aquele garoto medroso de um  passado tão recente passado.

Estavamos nos preparando para dormir, quando um dos meninos que viera junto, pediu que outros meninos maiores, fossem com ele do lado de fora, para lavar os pés. Todos se negaram, dizendo que do lado de fora da velha casa, àquela hora da noite, ninguém saia.

Foi aí nesse momento que todos se surpreenderam com minha atitude, quando eu disse: EU VOU LÁ FORA COM VOCE!!

Ninguém entendeu nada e, só quando voltei é que me perguntaram; porque eu, que era o mais medroso, resolvera agir como machão!.. Eu rí,  e simplesmente disse: Não tinha nada lá fora, só a bomba dágua, uns vagalumes e alguns e sapos;  Fui para o meu cantinho e dormi como um anjo ou quem sabe, como um guerreiro, um guerreiro para a vida.

 

 

Monday, October 18th, 2010 | Author:

AS VIDAS QUE VIVI NESTA VIDA.

 

5 QUINTO CAPÍTULO “O PAVOR”

 

Meu pai trabalhava na olaria que existia na fazenda e quando recebeu a a notícia de que eu havia desaparecido, veio correndo para casa e junto com minha mãe foram falar com os visinhos e seus filhos, procurando saber daqueles que estavam brincando comigo onde haviam visto-me pela última vez.

Embora naquela época não existia uma incidência de crianças desapareceidas como hoje em dia, a preocupação e a sensação de poder perder mais um filho, chegava ao extremo à cabeca de meu pai e de minha mãe. E, tão logo ouviram de  um dos meninos,  que eu havia ido para o lado do depósito, meu pai foi correndo perguntar ao capataz, se teria visto-me por lá, ele disse que não, que fez a vistoria da area, antes de fechar o depósito e ir para casa.

Neste momento sem saber porque, minha mãe gritou para meu pai: Ele está trancado no depósito!…

E foi esse instinto de mãe que fez com que eu viesse a ser encontrado ainda naquela noite.

 

Acordei, sentindo os braços do meu pai, pegando-me do chão. Naquele momento, tudo estava bem, e me recordo que, naquele momento, não senti nenhuma sensação de mêdo, mas sim de conforto e segurança, meu herói viera salvar-me.

 

Fui crescendo uma criança medrosa, com mêdo, do escuro e da solidão. Certa vez, ouvi meu pai discutindo com minha tia/madrinha, dizendo que não queria mais ouvi-la falar na minha presença, de casos assombrosos; Mula sem cabeça, lobisomen e fantasmas que haviam na fazenda.

Eu não entendia porque ele não queria que eu ouvisse mais sobre esses seres horripilantes quando em minha mente, agora,  eu creditava que existia.

 

Muitos anos passaram e  quando eu tinha 12 anos, minha mãe, um dia, encontrou com uma das pessoas que ainda vivia na fazenda, abraçaram-se e foi uma alegria vê-las tão felizes por haverem-se encontrado.

Dona moça, assim a chamavam, disse que sua filha mais velha iria casar-se na semana entrante e gostaria que minha mãe fosse para o casamento, na mesma fazenda onde haviamos morado.

 

Fomos no sábado pela manhã, porque minha mãe e minha irmã iriam ajudar nos preparativos para o casamento, que seria naquela tarde de sábado.

Quando lá chegamos vi que a maioria das crinças, eram as mesmas de quando lá, haviamos morado.

Engraçado como a vida vai nos ensinando; Durante os preparativass para a festa, as mulheres mandaram as crianças brincar  fora da casa para não atrapalhar nos trabalhos.

E como não tinhamos muita coisa para fazer, novamente os meninos resolveram brincar de policia ladrão. As mesma brincadeira do dia em que fui trancado no depósito de frutas.

Não sabia  porque, as coisas aconteciam novamente e, como aconteceu. Porém, agora, já com 12 anos e mais astuto do que antes, fui exatamente esconder-me no mesmo depósito

O menino que hoje não me recordo o nome, que fora o primeiro sheriff a tentar encontrar os demais, passou pela porta do depósito e resolveu trancar a porta para que se houvesse alguém la dentro, não podesse sair e soltar os que já haviam sido encontrados, caso ele tivesse que se afastar do local prisão, onde ele colocava os meninos já encontrados.

Os meninos foram chamados para expremer cana na moenda que existia na fazenda para termos garapa durante a festa, e simplesmente esqueceram-me lá, mais uma vez!…  trancado no deposito!…

 

E tudo se repetiu novamente, quando me vi trancado, comecei a gritar para que me tirasem de lá. Todos os grito e batidas fortes na porta foram inúteis, porque estavam longe e não me ouviram. Neste momento o mêdo despertou em mim o despero que veio acompanhado de pavor, porque desta vez, meu pai, meu herói, não estava presente para salvar-me.

 

Thursday, September 30th, 2010 | Author:

 

UMA PESSOA QUE CHEGUEI A ODIAR  FOI QUEM

ME ENSINOU UMA DAS MELHORES LIÇÕES NA VIDA.

 

Os momentos que vivi nas vidas que eu vivi nesta vida, foram muito educativos para mim.

Após haver saído do Saleziano, escola para padres, arranjei um emprego na Ultralar, empresa irmã da Ultragás e minha vida começava a tomar uma nova direção. Embora o salário fosse relativamente bom para minha idade de 17 anos, as dificuldades eram grandes e na época, minha mãe estava doente,  minha irmã trabalhando em casa como manicure com um filho pequeno e o marido desempregado. Tudo estava muito difícil e meu salário como disse antes, embora fosse bom, não dava para sustentar todo mundo e, fui, cada dia mais, afundando em dívidas. Em um  mês que as coisas ficaram piores, pedi um adiantamento de salário que foi-me concedido no dia 15 do mesmo periodo. Porém, quando veio o check do salário daquele mês, veio com o desconto do adiantamento eu pedira, mais as deduções das compras que eu havia efetuado no armazem da empresa, e o que recebi não dava nem para pagar as passagens para  ir trabalhar. Quando a secretária do gerente comercial meu “BOSS”,  entregou-me o check de pagamento, viu pela expressão do meu rosto que os valores constantes do check, não me fizeram muito feliz e perguntou-me se eu gostaria que ela falasse com nosso “chefe” sobre o assunto; Talvez ele pudesse  ajudar-me de alguma forma. Perguntei como ele poderia ajudar-me e ela disse que de repente ele poderia emprestar-me um “dinheirinho” para que eu pudesse sobreviver aquele mês. Concordei e, quando fui chamado por ele, em sua sala, eu não sabia como proceder.  Entrei com vergonha e principalmente com medo de receber um não.

Ele pediu que eu sentasse e adiantou-se dizendo que sabia de minha situação e me emprestaria o dinheiro, porém queria saber quando é que eu pagaria de volta. Como ele foi direto resolvi ser também direto e sem pensar muito, disse que pagaria quando recebesse o salário do mes seguinte.  Ele fez o cheque, agradeci e saí para ir ao banco sacar aquele dinheiro que iria me ajudar no decorrer do periodo.

Os problemas aumentaram e tive que pedir outro adiantamento no meio do mes e consequentemente, no dia do pagamento, quando recebi o cheque referente ao salario, vi que com tantas deduções, se eu pagasse ao chefe o dinheiro que ele havia me emprestado, não sobraria nada para passar o mês.

 

Resolvi então, pedir a ele que esperasse até dia 15 que eu iria pedir  outro adiantamento e o pagaria. Porém, o mundo caiu, quando entrei em sua sale e falei sobre a possibilidade de ele esperar até o dia quinze, quando eu receberia o adiantamento.  Ele foi taxativo dizendo: Voce disse que me pagaria hoje  e eu quero receber hoje.

Aquilo foi uma pedrada na testa. Meu instinto carnivoro, animalesco estava quase a ser solto e partir para um ataque físico e acabar com ele. O odiei, com toda força de meu coração. Fiz o cheque e entreguei a ele, que muito cordialmente agradeceu.

Saí da sale como um foguete recém aceso. Minhas orelhas queimavam de tanta raiva. Como é que uma pessoas que parecia entender os problemas dos outros, como foi quando ele me emprestou o dinheiro, pudesse agora, com tanta rudeza cobrar-me daquela forma, sem ao menos levar em conta minha situação!…

Quando sentei-me à mesa de trabalho, estava destruído. Destruído na vida,  no trabalho, nas amizades, nas finanças, em fim, em tudo, ainda mais tendo que trabalhar para aquele desumano.

Alguns momentos após haver sentado à mesa, a secretária veio falar comigo dizendo que o “chefe”!… queria falar comigo. Ele seria a última pessoa do mundo com quem eu gotaria de falar. Mas como não tinha jeito, entrei em seu gabinete  para ver o que ele iria, agora, arremessar contra mim.

Ele mandou que eu me sentasse a começou falando: Sabe!… Voce é um ótimo pagador. Quando pegou o dinheiro emprestado comigo, disse que pagaria hoje e pagou!.. Parabéns. Aquilo foi mais uma de suas ofensas, assim pensei. Porem continuou  falando: Como voce é um bom pagador.  Voce tem crédito comigo e se precisar de mais dinheiro emprestado, pode pedir que eu empresto.

Com um ímpeto de raiva, agradecí dizendo: Não senhor, não preciso de nada!… e antes que ele pudesse dizer algo mais ofendente ao meu ego, saí  da sala.

Ele chamou a secretária e pediu minha presença outra vez. Eu estava, por conta da vida e nada que ele fosse dizer-me mudaria o ódio que eu estava sentindo por ele.  Quando entrei pediu que eu me sentasse o que recusei de imediato, Ele com firmeza em sua voz sempre muito autoritária, disse: Sente-se!.., foi um sente-se com todos os acentos, exclamações e reticencias sem nenhuma interrogação.

Pronto, lá estava eu sentado de frente para o carrasco que agora, com certeza, iria tirar minha pele e com certeza já estaria enviando-me ao departamento pessoal para pegar meu aviso prévio.  É, eu estava com certeza, sendo demitido.

Ele começou atacando minha idade, dizendo: Voce tem 17 anos quase 18 e está começando sua vida agora e, eu quero lhe dizer, que a responsabilidade e cumprimento da palavra é a coisa mais importante para que a pessoa seja íntegra e assim terá que ser sua vida, para que voce seja bem sucedido; Porque as pessoas acreditam naqueles que são responsáveis e mantém sua integridade, independente da situação em que esteja.

Vou lhe ajudar a colocar sua vida em dia. Vamos fazer um levantamento de suas despesas mensais para ver de quanto voce necessita para que sua vida fique mais facil e  voce não venha a se descontrolar mais. Eu não sabia o que falar. Do ódio passou à interrogação e depois veio à calma. Fui falando sobre tudo que eu gastava por mes e ele foi anotando. No final ele disse: Voce precisa de CR$250.00 cruzeiros para acertar sua vida. (eu ganhava CR$140.00 por mes) Posso emprestar, com a condição de voce dizer-me quando é que poderá pagar-me de volta esse empréstimo. Falei com a vóz meio engasgada, que não sabia determinar quando eu poderia pagar o emprestimo. Ele mais uma vez, tomou a iniciativa e disse, para minha surpresa,  que esperaria um ano para receber de volta o dinheiro e não falou em juros. Aceitei assinando uma nota promissória, falando mais com  afirmação do movimento de cabeça do que com palavras.

Minha vida tomou um outro rumo, com mais administração financeira e tranquilidade. Aproximadamente 8 meses depois saí da empresa e fui trabalhar na Varig empresa de aviação, que oferecia um salário muito bom para a posição que eu ocuparia na contabilidade da empresa.

Passado o tempo, a data que eu deveria pagar de volta o emprestimo chegou, edevido a inflação galopante da época, o que eu agora ganhava, dava facilmente para pagar o empréstimo. Quando cheguei  à empresa para fazer-lhe o pagamento do empréstimo, fui surpreendido pela notícia de que ele havia falecido. No momento seguinte veio o pensamento: Não preciso mais pagar a dívida!… Não obstante, junto com a notícia de sua morte, veio atravéz da ex-secretária a informação de que a esposa do falecido havia perguntado por mim. Pedi o endereço dela e fui a sua casa pagar-lhe porque com certeza estava necessitada do dinheiro, por isso havia perguntado por mim.

Quando lá cheguei, apresentei-me e, ela com muita amabilidade, pediu-me para entrar e após haver-me oferecido um cafézinho, que aceitei de bom gosto, disse-me:

Damian, meu marido,  falou-me sobre voce e sobre o dinheiro que ele havia lhe emprestado e disse-me que se você não viesse pagar o empréstimo, que eu usasse dos recusrsos da lei para cobrar de você, mas se você viesse pagar, que eu deveria dizer a você, que o pagamento foi sua intenção de cumprir com sua palavra e que eu não aceitasse o dinheiro.

Meus olhos se encheram de uma água quente a ácida que não consegui reter e rolaram pela minha face. É!.. eu chorei!… Ela abraçou-me  dizendo: Continue assim, porque foi assim que Damian gostaria que você fosse.

Meus agradecimentos Senhor Damian Sunner Sampol, pela primeira lição prática de vida, que recebi em uma das vidas que eu vivi nesta vida.

 

    Jimmy Albuquerque

 

 

 

Thursday, September 30th, 2010 | Author:

CAPITULO 4

 

Agora que  o mundo do medo fez-se presente em minha vida, tudo mais iria contribuir para que o medo tomasse seu território onde quer que eu estivesse e tudo começou a acontecer..

Num final de dia, brincando com alguns meninos, filhos de empregados  da fazenda onde morávamos, fomos nos distanciando da casa e os meninos que  sem duvida eram maior do que eu, resolveram brincar de policia ladrão; ou seja um seria o sherife  enquanto que os demais seriam os bandidos. O sherife contaria até dez e os demais deviram esconder-se. Para que o sherife os encontrasse e colocasse na prisao.

A brincaderia era interessante porque se o sherife se afastasse muito do lugar onde ele estaria colocando os que ele fosse encontrando, qualquer um dos demais que ainda não houvesse sido descoberto poderia soltar aqueles que ja haviam sido preso; Bastava chegar junto ao preso sem que o sherife visse, para para que a brincadeira comessasse tudo de novo.

Mas se o sherife conseguisse prender todos, o que primeiro fosse pego tornar-se-ia o sherife e assim a bricadeira começaria novamente.

Eu,  resolvi esconder-me um pouco mais distante numa casinha que era destinada a colocar as laranjas e as bananas colhidas.

 

Como era final de dia,  o sol começou a baixar, os meninos foram chamados para casa, o responsavel pelo estoque da colheita veio e sem que eu percebesse trancou o pequeno armazem.

Quando descobri que ninguem viera  procurar-me, tentei sair e voltar para casa, porém como a porta estava trancada. comecei a gritar perdindo que me tirassem de lá. Porém, o deposito era relativamente distante da casa e da porteira da fazenda!.. Ninguém me ouvia!…  Ai sim!,… quando me dei conta de que eu estava preso  naquele depósito prisão, o pânico tomou conta de mim,

A principio, foi a sensação de solidão que desenvolveu o medo e,  daí por adiante, a cada momento que eu gritava batendo vigorosamente na porta, pedindo para que me tirassem da lá, o pavor fez-se presente tomando conta de mim e, com desespero coloquei toda minha força gritando mais alto ainda, porém ninguem me ouviria estando tão longe da casa.

Em um determinado momento sem que eu percebesse  o sangue deve haver subido a cabeça, porque senti uma sensação extranha que jamais consegui explicar e desmaiei de tanto medo.

 

E isso veio a acontecer novamente, muitos anos depois.

 

 

 

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Thursday, September 30th, 2010 | Author:

” As vidas que eu vivi nesta vida”

Quando chegamos a casa onde minha tia madrinha morava achei diferente  ao ver tantas árvores pintadas com tinta Branca do chão até pelo menos minha altura., Eu nao sabia que era cal, para evitar que insetos subissem a árvore, protegendo-as de doenças.  Era muito bom  ver aquela  casa  bonita, muito grande e diferente da que vivíamos no interior de pernambuco. Tinha um jardim bem tratado e alguma redes na varanda e tudo parecia muito alegre e por momentos fiquei feliz em saber que de repente meu vermelhinho barulhentos estivesse ali me esperando.

Não, não estava!.. e a quela felicidade com certeza não iria durar  por muito tempo.

Naquela noite, vi que alguma coisa não agradava a minha mãe, porque minha tia falava muito sobre as feridas do meu couro cabeludo, que na verdade já não estava tão cabeludo, pois o cabelo estava caindo muito rápido. meu sofrimento se fez presente quando na manha seguinte todos sairam fincando somente eu e minha adorada tia/madrinha que  me pegou pelo braço com alguns panos e me levou para debaixo de um pé de coqueiro passando antes por uma larangeira de onde tirou alguns espinhos para começar o tratamento, que para mim, foi sofrido, porque ela furava as feridas espremia e colocava um remédio preto cujo nome ela chamava de elixir sanativo.

O nome podia ser sanativo, mas maltratava muito, porque cada vez que ela espremia as feridas, vinha uma expectativa muito grande de mais dor porque com certeza o chumasso de algodão com elixir sanativo vinha em seguida.  Eu chorava muito e tenho certeza de que eu gritava, porém como estavamos muito longe da casa, ninguem  ouvia, porque nunca aparecia ninguem para me socorrer.

E este  martirio foi por muitos dias até que um dia minha tia já precisou fazer os curativos.

Este momento de relato não é maldizendo as ações de minha tia porque embora eu tenha sofrido muitos dias de dores,  principalmente quando ela colocava o tal do sanativo, as feridas sararam e eu pude dormir sabendo que no dia seguinte não sofreria tendo minha mãe que descolar as fronhas  de meus couro cabeludo.

A vida me pareceu bem melhor porque agora eu comia outros tipos de comida. Um dia minha tia colocou no meu prato uns grãos pretos que vim a descobrir depois ser feijão preto, porque em recife eu nunca houvera visto ou comido aquele tipo de feijão. Gostei muito da nova comida e sempre que se cozinhava o feijão preto meu dia era sempre melhor. E quando a comida era servida, minha tia Dulce  sempre se elevava, dizendo para minha mãe: Viu só como ele gosta da minha comida?!… É, a vida começou a mostrar-me outra coisa o desejo de ser elogiado, porque ela se fazia muito feliz sempre que colocava a posição de que eu gostava da comida dela. E isto tambem me fazia feliz, porque nestes momentos, eu não era maltratado, a vóz dela era mais agradável e eu me sentia mais confortável.

Os dias foram passando e comecei a esperimentar uma sensação que eu não havia esperimentado antes; O mêdo!…

A noite quando nos reuníamos após a janta,  sob a luz dos candeeiros os adultos falavam sobre personagens que eu até então  nunca houvira falar. Falavam sobre a mula sem cabeça sobre o lobisomen, sobre os fantasmas que viviam na casa abandonada, onde  usavam para guardar as frutas colhidas na produção da fazenda.  Onde  ninguem ia durante a noite por causa dos fantasmas que lá viviam. Ou seja falavam de tudo que pudesse entrete-los, porém,  para mim foi quando comecei a desenhar em minha mente um outro mundo, no qual eu ainda, não houvera vivido, o mundo do medo.

Os dias se passavam, e como meu pai trabalhava na olaria da fazenda, na produção de telhas, e tijolos, conhecida como fazenda da Banca, e chegava em casa ainda durante o dia, e com isso, a noite não me era totalmente assombrosa, porque eu sempre ficava perto dele, de minha mãe e muitas vezes perto de minha tia Naiza, que tinha um apego muito grande comigo,  até que o sono tomava conta de mim. E, como, segundo os adultos que falavam sobre aqueles seres horripilantes os monstros só apareciam a noite, o dia era para mim o principal refúgio, e, com isto eu me afastava sempre dos lugares escuros pois os lugares escuros me pareciam noite. Noite para mim, só perto do meu pai ou da minha mãe ou de minha tia Naiza.

O medo agora fazia parte de mim, vivia  dentro de mim e, eu não conseguia colocá-lo para fora, ele vivia comigo agora para sempre. E este passou a ser o meu pior inimigo, pois o inimigo, maltrata e faz a gente sofrer. O conhecimento do desconhecido me apavorava e tudo se tornou um mundo de incertezas, de defesa, de insegurança e perda, porque eu pensava que qualquer coisa que pudessemos obter, poderia ser tirado da gente, quando aqueles monstros viessem e nos matassem. E a palavra morte e a existência da morte, se fez presente pela primeira vêz em minha vida, quando um empregado da fazenda foi encontrado morto e pude vê-lo já num estado em que cheirava mal. Naquela noite, as conversas sobre a morte do colono era sempre culpando algum ser fantasmagórico, dos quais eu ouvia falar  nas noites de conversa entre os adultos. As vezes, para me amedrontar mais tentando fazer-me obedecer. Ficavam em silencio e me perguntavam: Está ouvindo esse barulho lá fora?!.. é a mula sem cabeça procurando crianças desobedientes. Ai simm, tornei-me uma criança medrosa,  insegura e sem vontade de estar só, principalmente à noite.

E se me deixavam só em um único momento que fosse,  o meu inimigo medo se fazia presente com tal intensidade que eu precisava estar perto de alguém imediatamente para mantê-lo longe junto com os monstros, mulas sem cabeça, lobisomen, etc.  E com isto criei alguns problemas para mim, pois a solidão como a que eu tinha junto com meu vermelhinho barulhento, já não podia ser minha companheira.

 E esta passou a ser mais uma vida que eu vivi nesta vida; A vida do medo!…

Thursday, September 30th, 2010 | Author:

“As vidas que eu vivi nesta vida”

 

Sim, estávamos na “capitá” Rio de Janeiro e lá já estava começando uma nova esperiência de vida para mim.

Logo que descemos a escada mole do navio, Mole porque parecia que a corda que minha mãe estendia as roupas em dia de vento; Uma mulher muito magra vestindo uma roupa muito apertada no corpo onde deixava transparecer os ossos da parte frontal da bacia, com um topete que parecia que iria decolar de tão alto que era, juntamente com o oposto, um homem muito gordo e calvo, veio diretamente para nós , e para meu desespero, a primeira pessoa que ela atacou foi a mim.

Eu não sabia o que estava acontecendo, porém não me desesperei muito quando notei que minha mãe, minha irmã e minha tia não pediam a ajuda do meu pai., que diga-se de passagem, era bem forte para defender-nos caso fosse realmente um ataque.

Não precisavam de ajuda porque aquilo que eu pensei ser um ataque era o entusiasmo de ver-nos e poder abraçar-nos.

Na realidade, para todos, foi uma festa, menos para mim. Foi algo que eu não conseguia explicar. Todos pareciam estar felizes, mas choravam!… E eu pensava que a gente só choraria por sentir dor ou fome. E ai eu comecei a chorar também. Porém, de angústia e dor, pois não somente o antebraço da mulher magra atacou as feridas em minha nuca, como também me apertou tanto que meu nariz foi amassado contra o peito dela ( Entenda-se como peito, a parte toraxica que seria por muitos chamado de seios, e isto!… ela não tinha) e aí, nesse momento, eu pensei que iria deixar de existir.

Logo depois que o ataque dela acabou, ela me passou o ataque para o homem gordo, que apertou tão forte minhas bochechas, que quando ele parou o ataque às minhas bochechas, eu chorei mais convulsivamente e, foi um problema para minha mãe, que não conseguia fazer-me para de chorar. Todos pensavam que era por causa da emoção, ou mêdo do novo mundo, ou das novas criaturas com quem íriamos viver por um bom tempo. Ninguém chegava a imaginar que eu chorava, era mesmo de dor!

Naquele momento eu pensei: … que bom seria se meu vermelhinho barulhento estivesse ali, porque eu começaria a velocipar e com o barulho e, eles como sempre acontecia, me mandariam para longe daquelas feras!…

Aquela mulher magra que me atacou, juntamente com o homem gordo, era minha tia madrinha, e o homem gordo, o marinheiro, era meu padrinho!… Ah!… que ironia, ter dois parentes que me maltratavam, como se fossem meus inimigos. Isto sim, foi uma faceta diferente da uma das vidas que eu vivi.

A minha tia que viajara com a gente, logo depois que a feras me soltaram e minha mãe acalentou-me, fazendo-me parar de chorar, me pegou e me protegeu dos atacantes. Das Feras é claro!.

Imagino que ao falar anteriormente, que minha tia Naiza (embora o nome real fosse Nair) pois assim a chamavam,   que conseguia muitas vezes aquelas bandas de pão com manteiga e também levar-me ao convés, por causa da amizade que ela fizera com alguns marinheiros, muitos devem ter pensado que, na pior da hipoteses, ela estava se oferecendo as necessidades fisicas daqueles homens do mar. Que passavam muito tempo sem ver o sexo oposto tão próximo e aparentemente tão disponível, creio que feiura, ali, não seria levado em conta.

Embora os atrativos físicos de minha tia Naiza não fosem motivo para travar as investidas dos marinheiros, pois como já disse ela não possuia tais atrativos, gostaria de esclarecer que ela casou algum tempo depois já com 45 anos e,  segundo minha mãe, ela era ainda virgem, porque na época minha mãe teve de levá-la ao médico para que fosse dado um atestado de virgindade, porque o portugues interessado nela, assim o exigiu.

Depois que entendi melhor a vida , fiquei muitas vezes analisando a exigência do português, em ter certeza através de um atestado médico, que de que iria casar com uma virgem. Será que êle não sabia que as mãos, a boca e as cochas poderiam não ser mais virgem?!… Uma coisa é “certa” ela era virgem sim, pois nunca houvera sido “ casada  antes.

Depois dos abraços, apertos e choro, saímos do porto e, ai sim minha mente tornou-se mais acesa, porque eu precisava ver por onde iríamos para saber voltar, caso tivesse que fugir sòzinho para junto do meu vermelhinho barulhento, esquecendo completamente que necessitaria do navio, do lotação e da carroça para levar-me de volta àquela vida que eu vivi.

 – Agora sim, estava em território inimigo… que Deus me ajudasse!…

 

 

Não percam na próxima semana o terceiro capitulo das vidas que eu vivi nesta vida.

Tuesday, August 17th, 2010 | Author:
 CAPÍTULO PRIMEIRO :
A minha primeira experiência dolorosa foi quando meus pais decidiram não mais perder um filho por problemas de doença, pois já dois de meus irmãos (Mario e Edmilson)  havia morrido com crupe no interior de Pernambuco, sem condições de obter a assistência médica necessária para salvá-los, e com isto minha mãe e meu pai decidiram ir para a “capitá” Rio de Janeiro.
Sair daquela casa de sapê com mosquitos, tendo que suportar o cheiro de candeeiro de querozene quando o apagavam para dormir, e sentar nú em cima da mesa (no canto é claro para eu não cair) comendo na cuia junto com as moscas, as papas que minha mãe fazia, foi muito bom. Porém, ter que deixar o meu velocípede!?… Sim eu tinha um, apesar de toda pobresa. Não sei como meu pai o conseguiu, mas eu tinha um, e que me fazia muito feliz “velocipar” com êle no quintal.
Durante muito tempo viajando de carroça e de lotação até chegarmos a Recife, Cidade onde fui registrado, eu só pensava no meu velocípede vermelhinho barulhento, que quando eu usava, fazia um barulho imenso e me parecia que, para todos deveria ser horrivel, porque sempre brigavam comigo quando eu estava velocipando, mas, para mim, soava como trompetas divinas. Aquele foi o meu primeiro mundo de felicidade que eu perdi.
 
Talvez tenhamos sido uns dos poucos nordestinos pobres que foram de navio para o Rio de Janeiro; e não de caminhão “Pau de Arara”, como foram tantos e assim ficaram conhecidos. Minha tia madrinha que já estava morando no Rio de janeiro havia casado com um marinheiro, e conseguiu que fôssemos em 1951, para o Rio de Janeiro no porão de um Navio (Santarem) que iria transportar açucar para a Bahia e Rio de janeiro. E lá fomos nós para aquele porão excessivamente quente e úmido, com tantos percevejos no colchão, que minha mãe à noite tinha que colocar algodão em nossos ouvidos para que não entrassem as aquelas pequenas criaturas (que Segundo ela), eram horripilantes.
Mas isto não me fazia sofrer, pois era tudo novidade. Só a lembrança do meu velocípede vermelhinho me fazia triste.
Juntamente com a gente (meu pai, minha mãe e minha irmã viera também uma tia que tivera a oportunidade de conhecer Lampião e servir água para êle no sertão nordestino. Ela era uma mulher que não sabia ler nem escrever, e sem muitos atrativos físicos que pudesse atrair um companheiro. Mas era, sem dúvida alguma, uma pessoa muito humana, sempre querendo ajudar, e, foi ela quem praticamente cuidou de mim, não somente naquele navio como também durante um grande período de minha infância.
No navio, não sei como, ela fez amizade com um marinheiro e conseguia umas bandas de pão com uma manteiga que eu não sabia que gosto tinha, mas não era de manteiga!
Ela, com muito cuidado, sempre às escondidas, conseguia me levar para o convés onde eu via o mar; e era quando eu mais me recordava do meu vermelhinho barulhento. Algumas vezes eu me lembro que tinhamos que nos esconder para que outros homens que trabalhavam no navio não nos vissem. Deviam ser delatores ou donos do navio, porque muitos anos depois vim a descobrir que éramos clandestinos naquela viagem.
Depois que o navio parou na Bahia para descarregar, a inclinação do navio melhorou e eu via todos “ os clandestinos” sem tanto mêdo de que o navio afundasse, pois a carga fazia com que o navio fosse inclinado até que descarregaram parte da carga que ficou na Bahia.
Uma vez que a ameaça de que o navio afundasse melhorou, para mim, a situação ficou bastante dolorida, pois não somente me afastava do meu vermelhinho barunhento, como também peguei uma doença no couro cabeludo, e em alguns dias com a cabeça cheia de feridas perdi o cabelo; Pela primeira vez!…
As emoções da saída daquela casa de sapê, da minha cuia, das moscas, da viagem de carroça e de lotação para Recife, dos percevejos do navio, que em alguns momentos era divertido, ve-los morrer, quando nós, as criancas que estavam naquele porão, pegávamos e colocávamos em frente a meu pai que fumava muito e queimáva-os com a brasa do cigarro.  As angustias que eu passava sem poder colocar minha cabeca no pano que chamavam de “ fronha”, porque as feridas colavam ao pano durante a noite e ficava mais dolorido quando minha mãe e minha tia no dia seguinte tentavam descolar as fronhas do meu couro cabeludo que já não estava cabeludo; Tudo isto, ainda não era mais sofrido do que saber que estava me afastando do meu vermelhinho barulhento.
No segundo dia de carnaval do ano de 1951, o navio aportou no Rio de Janeiro e começamos a ouvir um barulho que era para mim, muito diferente. Talvez tenha sido ai, que eu descobrí que aqueles sons chamavam de música. Era música sim, porque o bloco carnavalesco vassourinha estava também no navio e, ao aportarmos começaram a festa. Foi fácil poder ver todo aquele movimento, pois tínhamos que sair do navio junto com todos os demais passageiros e tripulantes, para que não descobrissem que éramos clandestinos.
Eu, nos ombros do meu pai, minha mãe , minha irmã e minha tia, descemos as escadas que balançavam mais que as folhas da goiabeira, que existia nos fundos daquela casinha de sape que haviamos deixado para trás em dia de vento. Ali naqueles momentos descobri que, de repente eu jamais iria ver o meu vermelhinho barulhento outra vez.
Estavamos em outro mundo e, este mundo tinha que ser melhor que a vida que vivêramos no interior de Pernambuco.
Aquela era a cidade na qual uma outra vida me esperava. Estávamos, segundo meu pai; Na “ capitá ” Rio de Janeiro. Aí sim tive certeza de que a distância do meu vermelhinho barulhento, viera a ser minha primeira perda na vida.
“veja toda semana um novo capítulo”